Evento gera oportunidades de negócios para startups da Amazônia

19 de dezembro de 2018

Um grupo de 13 startups passou os últimos meses desenvolvendo modelos de negócios em áreas como gastronomia, turismo, óleos naturais, açaí, mandioca, calçados, entre outros. O resultado foi apresentado no último dia 14, no DemoDay do AmazôniaUP, um programa criado pelo Centro de Empreendedorismo da Amazônia e Natura com objetivo de pré-acelerar protótipos e ideias de negócios na área rural com foco em floresta e biodiversidade. Na plateia, um público composto por empresários, investidores, universidades, instituições de fomento ao empreendedorismo, tomadores de decisão da área pública, entre outros.

Dentre as 13 startups, cinco foram selecionados para receber suporte para estruturarem seus negócios no ecossistema empreendedor amazônico. “A Amazônia tem um potencial enorme e vocação para gerar uma cadeia da biodiversidade e floresta em pé, e projetos neste sentido são sempre apoiados pela Natura”, ressaltou Priscilla Matta, gerente de sustentabilidade da Natura.

Os selecionados foram as startups Ararinha Calçados, ID.A, Madtech, Flora Amazônia e Amuara. “Eu vim de Porto Alegre para conhecer a Amazônia verdadeiramente. A indústria da moda está entre as cinco mais poluentes e criar o ID.A, uma marca de calçados e acessórios que utiliza fibras naturais, foi uma forma de não compactuar com esta indústria e mostrar que podemos produzir sem destruir. Meu calçado é um instrumento para trazer este olhar de preservação da floresta”, destaca Joice Trindade, gerente de marketing de uma empresa de fast fashion e criadora da startup ID.A.

Outro projeto selecionado que conquistou os presentes foi da startup Ararinha Calçados, de Rosemeire Silva e José Cazuza, do Acre, da tribo Arara Shawãdawa. O calçado produzido por eles é 100% orgânico, feito com látex natural da Amazônia e confeccionado de forma justa pelo grupo indígena. “O projeto envolve capacitação de indígenas na produção de artesanatos utilizando as folhas semi-artefato, além da fabricação de sandálias de látex”, afirma Rosemeire, conhecida na tribo como Daosha.

O projeto da startup Amuara, de Lorena Silva, estudante de Publicidade, tem como foco o veganismo. “Foi a inexistência de produtos veganos de origem amazônica e a pouca conexão socioambiental que me fizeram desenvolver esta linha, começando com leite condensado, doce de leite e brigadeiro, a partir das castanhas de caju e do Pará”, analisa Lorena.

Já a Flora Amazônia, do Baixo Tocantins, utiliza espécies oleaginosas existentes na região, como a palmeira Buçu e Pracaxi, para a produção de sabonetes artesanais a partir de óleos essenciais de alta qualidade. A Madtech encontrou uma solução bem prática para destinação dos resíduos de origem vegetal, com o desenvolvimento de uma madeira biosintética composta por polímeros plásticos recicláveis, caroços de açaí e resíduos da indústria madeireira, que serão disponibilizados para o mercado de móveis planejados.

Fonte: Natura